Dois meses após saída de Conca, Flu ainda tenta se reerguer no Brasileirão

Último jogo do argentino com a camisa tricolor foi no dia 30 de junho. Desde então, o aproveitamento do atual campeão brasileiro caiu para apenas 36,1%

Há exatamente dois meses a torcida tricolor ficava órfã. Quinta-feira, 30 de junho de 2011. Os pouco mais de cinco mil torcedores que foram ao Engenhão não tinham certeza, mas aquela seria a última partida do argentino Dario Conca com a camisa do Fluminense. Na vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-PR, o então camisa 11 teve atuação discreta e até participou indiretamente de dois gols da partida. O abatimento pela saída iminente, no então, era visível. Quatro dias depois, o próprio anunciava, em entrevista coletiva em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, a sua ida para o desconhecido Guangzhou Evergrande, da China.

Melhor jogador do último Campeonato Brasileiro, competição na qual disputou todos os 38 jogos possíveis e foi o grande maestro do tricampeonato tricolor, Conca ainda tentava reencontrar seu melhor futebol após a artroscopia que realizou, em janeiro passado, no joelho direito. E, aos poucos, mostrava evolução. Diante do Avaí, em sua penúltima partida pelo clube, por exemplo, o argentino marcou o gol da vitória e foi o destaque da partida. Com ele em campo, o Fluminense disputou sete rodadas do Brasileirão 2011, com quatro vitórias, três derrotas e aproveitamento de 57,1%. Sem ele, o clube das Laranjeiras tenta até agora, dois meses depois, reencontrar o caminho do sucesso.

– Perdemos o melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 2010. O cara que armava as jogadas. E a perda não foi apenas técnica. Conca tinha uma liderança importante sobre o grupo. Ele podia ser tímido diante da imprensa, mas internamente era um líder. Com a saída de um craque e todas as brigas políticas que cercam o Fluminense na atual temporada, era óbvio que o elenco ia sentir – ainda lamenta o vice-presidente de futebol do Tricolor, Sandro Lima.

E o Fluminense realmente sentiu. O aproveitamento de 57,1% nas sete primeiras rodadas caiu para apenas 36,1% do oitavo jogo até o fim do primeiro turno. Em 12 partidas sem Conca, a equipe venceu quatro, empatou uma e perdeu sete. Apenas 13 pontos em 36 possíveis.

– Conca faz falta para qualquer time. Não só para o Fluminense como também para o Vasco, por exemplo. Cansei de ver torcedores na rua pedindo para ele voltar para São Januário. E sempre vai ser assim. A vida segue. O clube fez o que tinha quer fazer e o Conca também. Ele teve uma história bonita nas Laranjeiras e pode voltar um dia. Enquanto isso temos de jogar sem ele e buscar as vitórias do mesmo jeito. Precisamos encontrar logo uma forma de jogar. Uma maneira de vencer sem o Conca – sentenciou o meia Marquinho, ex-companheiro e amigo pessoal do argentino.

Até agora, no entanto, o Fluminense ainda não conseguiu resolver o problema. Na entrevista coletiva após a vitória sobre o Atlético-PR, o técnico Abel Braga demonstrou tranquilidade. Chegou a afirmar Souza seria o substituto e que não teria dor de cabeça com a saída do ídolo. Desde então, no entanto, o comandante tenta resolver a falta de um maestro no meio-campo. Alternando boas atuações com partidas apagadas, o já citado Souza foi barrado da equipe.  Outra opção no elenco, Deco vive às voltas com lesões que o impedem de ter uma sequência de jogos. O também argentino Lanzini, que herdou a camisa 11 de Conca, é quem melhor se saiu no posto. Mas tem apenas 18 anos e o consenso nas Laranjeiras é de que ele ainda precisa amadurecer um pouco mais para suportar tamanha responsabilidade.

Apesar do problema, Marquinho evita mostrar abatimento diante do futuro do Fluminense no Brasileirão, competição na qual o clube ocupa atualmente a modesta 11ª posição. E o apoiador deu o exemplo da temporada passada, quando, mesmo sem ter sempre as principais estrelas em campo graças à diversas lesões, o Tricolor ainda assim conseguiu se superar e terminar com o título.

– Está faltando, sim, alguém para decidir. Mas é só olhar para a nossa caminhada no ano passado. Sofremos com as lesões. Nem sempre tivemos Fred, Diguinho, Deco em campo.. E mesmo sem as estrelas fomos campeões. Temos de buscar novamente esse espírito. Não podemos depender de apenas um jogador para que alguma coisa boa aconteça. Todos precisam dividir o fardo da saída do Conca e do espaço que ficou aberto – destacou o apoiador.

Desde que trocou o Brasil pela China, Conca já deu algumas entrevistas. Falou da nova cultura, da vida de rei que leva com casa, tradutor e carro à disposição, do primeiro filho que está para chegar, da torcida que aplaude até derrota… E sempre frisou que vai voltar às Laranjeiras em um futuro próximo. Mesmo do outro lado do mundo, o argentino mais querido do Brasil, como canta a torcida tricolor, mostrou que não se esqueceu do Fluminense. E o Fluminense, pelo menos dentro de campo, também já deixou claro que não se esqueceu do seu ex-camisa 11.

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