Flu dá um bico na crise, vence no Morumbi e joga pressão no São Paulo

Após três partidas, time de Abel Braga volta a ganhar no Brasileirão. Já a equipe de Adilson sofreu sua terceira derrota em casa e saiu vaiada de campo

O São Paulo voltou a negar fogo dentro do estádio do Morumbi. Em sua décima apresentação dentro de casa, a equipe comandada por Adilson Batista não foi páreo para o Fluminense, que deu um banho tático, foi superior na grande maioria do tempo e mereceu amplamente a vitória por 2 a 1, botando fim a um incômodo jejum de três jogos sem vitórias no Campeonato Brasileiro. Já o Tricolor paulista, que perdeu pela terceira vez dentro de casa, só continua no grupo que disputa vaga para a Libertadores porque o Vasco, que está a sua frente, já tem lugar garantido na competição continental por ter vencido a Copa do Brasil.

Os cariocas ganharam duas posições na tabela, subindo para a nona colocação, com 28 pontos. Já os paulistas caíram para quinto, com 35. Os dois times voltarão a campo no próximo sábado. O Fluminense receberá a visita do Atlético-GO no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O São Paulo buscará a reabilitação diante do Figueirense, em Florianópolis. No duelo desta quarta, o Morumbi recebeu 7.910 pagantes com renda de R$ 185.130,00.

Fluminense domina primeiro tempo

Os primeiros 30 minutos podem ser definidos da seguinte maneira: um passeio do Fluminense sobre o São Paulo. Abel Braga mandou sua equipe no 3-5-2, com o volante Edinho fazendo o papel da sobra e apostando tudo nas suas três peças ofensivas (Lanzini, Ciro e Fred). No São Paulo, Adilson Batista montou o meio no 4-4-2, com dois volantes, Cícero atuando de maneira mais recuada e Rivaldo com mais liberdade para municiar Lucas e Dagoberto.

O Fluminense fez o que quis nos primeiros minutos. Aos seis, após toque de Fred, Marquinho só não marcou porque Rogério Ceni fez grande defesa com o pé esquerdo. Dois minutos depois, foi a vez de Lanzini ficar cara a cara com o camisa 1 são-paulino, mas Wellington foi preciso no corte e evitou o pior. No terceiro ataque, não teve jeito e Lanzini, após falha de Rhodolfo, bateu no ângulo e saiu para o abraço: 1 a 0 justíssimo no marcador.

O São Paulo não esboçava reação. Suas peças não funcionavam. A lateral direita não existia porque Marquinho bloqueava Jean. Na esquerda, Juan até apoiava o ataque, mas sofria com Mariano nas suas costas. Pelo meio, Marquinho acompanhava Casemiro, Diogo grudou em Cícero, e Fernando Bob cercava Rivaldo. Com isso, Lucas e Dagoberto, sozinhos, tinham três rivais pela frente (Gum, Edinho e Leandro Euzébio) e pouco faziam. O domínio carioca foi tamanho que o time paulista só deu o primeiro chute aos 24, com Casemiro.

A partir dos 30, o domínio do Fluminense diminuiu porque o São Paulo resolveu se mexer em campo. Como Jean não subia pela direita, coube a João Filipe, em alguns lances, sair pela lateral. Isso, aos poucos, começou a desafogar o time. Rivaldo passou a ser referência no ataque e Dagoberto recuou. Aos 36, na primeira grande jogada, Dagoberto exigiu grande defesa de Diego Cavalieri. No minuto seguinte, Casemiro perdeu uma chance incrível. Antes do intervalo, o juiz Elmo Alves Resende errou ao não expulsar Juan, que deu um tapa na cara em Fred, que injustamente recebeu o cartão amarelo.

São Paulo cresce, Abel ajusta Flu, que marca e vence

Tentando arrumar o time, Adilson Batista mexeu no intervalo, sacando o apagadíssimo Rivaldo e colocando Willian José, que teve sua primeira chance após voltar do Mundial sub-20 com a Seleção Brasileira. O time começou mais ligado e Lucas, aos sete, assustou em chute de fora da área. Logo depois, Jean, em jogada individual, quase empatou.

Percebendo o crescimento do São Paulo, Abel Braga agiu rapidamente. Primeiro, sacou o volante Fernando Bob para colocar o zagueiro Digão. O time passou a contar com três beques de ofício na defesa, para conter o jogo aéreo com Willian José, e Edinho foi para o meio-campo. Logo depois, Rafael Sobis entrou na vaga de Ciro para aproveitar os buracos deixados pelo São Paulo na defesa. E foi justamente o gaúcho que, após contra-ataque iniciado por Fred, fez 2 a 0.

O jogo estava decidido? Não. Aos 27, o juiz Elmo Alves Resende resolveu dar emoção ao duelo ao marcar pênalti inexistente de Leandro Euzébio em Dagoberto, que se jogou na área. Rogério Ceni bateu no meio do gol e diminuiu a desvantagem paulista. Adilson então partiu para suas duas últimas cartadas, com Cañete e Marlos nas vagas de Casemiro e Dagoberto. Só que tudo ficou ainda mais difícil quando Jean, aos 36, foi expulso corretamente após fazer falta em Souza. Fred ainda exigiu boa defesa de Rogério Ceni, e depois o Flu soube controlar a posse de bola para garantir a justa vitória.

Do lado são-paulino, sobrou para o técnico Adilson Batista, que teve de escutar o coro:

– Burro, burro, burro, burro..

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